Protestos no Irã deixaram 43 mil mortos
O Centro Internacional para Direitos Humanos no Irã afirma que ao menos 43 mil pessoas morreram durante a repressão aos protestos contra o regime, segundo levantamento baseado em investigações, pesquisas de campo, análise de imagens e vídeos e entrevistas com fontes no país. As manifestações começaram em 28 de dezembro, com comerciantes e lojistas de Teerã fechando seus estabelecimentos, e rapidamente ganharam caráter político e dimensão nacional, envolvendo dezenas de cidades e diferentes segmentos sociais. Relatos indicam uso de força letal pelas autoridades, inclusive com perseguições após a dispersão dos atos, resultando em mortes mesmo dentro de residências.
Os protestos foram desencadeados pela alta acelerada da inflação e pelo aumento abrupto de preços de alimentos básicos, agravados pela decisão do banco central de encerrar um programa de acesso a dólares subsidiados para importadores. A medida impactou diretamente os bazares — tradicionalmente alinhados ao regime — e levou ao fechamento de lojas, catalisando as manifestações. Tentativas do governo de conter a insatisfação, como transferências mensais de baixo valor, não surtiram efeito. Trata-se do maior ciclo de protestos desde 2022, quando a morte de Mahsa Amini motivou mobilizações em escala semelhante, agora com participação registrada em mais de 100 cidades.
