Eleições e juros podem esfriar leilão de 15 aeroportos

O leilão de 15 aeroportos no país, incluindo o de Congonhas, em São Paulo, deve atrair o interesse da iniciativa privada em agosto, mas o cenário de economia instável e incerteza política às vésperas das eleições pode esfriar a disputa, dizem analistas.

Em outras palavras, o certame tende a contar com a presença de grandes grupos, e é provável que todos os terminais sejam negociados.

Porém, as dificuldades macroeconômicas, aliadas às dúvidas sobre o rumo político do país, podem conter os lances que devem ser oferecidos pelas concessões.

Os juros mais altos, que encarecem os investimentos das empresas, e os impactos da pandemia no setor aeroportuário são desafios no radar.

O leilão, agendado para 18 de agosto, na B3, em São Paulo, marca a sétima rodada de concessão de aeroportos. Os 15 terminais estão divididos em três blocos.

“Os leilões de aeroportos estão ficando cada vez mais escassos”, diz Fernando Villela, coordenador do Comitê de Regulação de Infraestrutura Aeroportuária da FGV Direito Rio.

“Naturalmente, isso tudo [quadro de incertezas] tem impacto, mas não no interesse do investidor, talvez no valor da outorga [quantia a ser paga pela concessão].”

Daniel Engel, sócio da área de infraestrutura do escritório Veirano Advogados, vai na mesma linha.

“Não consigo imaginar uma licitação deserta. Talvez os níveis de ágio [diferença ante o lance mínimo] não sejam tão surpreendentes como em leilões anteriores. Você vai ter concorrência, mas talvez com lances menos agressivos”, analisa.

O prazo previsto para os contratos é de 30 anos. A estimativa de investimentos nos 15 terminais chega a R$ 7,3 bilhões, diz o Ministério da Infraestrutura.

“O leilão vai ser bem-sucedido? Se estabelecermos como critério de sucesso que algum grupo vá bidar [fazer proposta] em cada bloco, acho que vai ser”, afirma o economista Claudio Frischtak, da Inter.B Consultoria.

“Se fosse no pré-pandemia, não teria dúvida de que haveria muita competição. As concessões são de longo prazo, mas há muita incerteza. O custo do capital aumentou. Está mais difícil financiar um projeto hoje.”

Folha de São Paulo