Greve geral na Argentina afeta voos no Brasil e amplia tensão política com reforma trabalhista

A greve geral convocada por centrais sindicais na Argentina contra a reforma trabalhista do governo de Javier Milei provocou impactos diretos no transporte aéreo, com cancelamentos de voos entre Brasil e Argentina nesta quinta-feira (19). Companhias como Latam e Gol suspenderam operações com destino a Buenos Aires e outras cidades, enquanto aeroportos como Guarulhos, Galeão e Salgado Filho registraram dezenas de cancelamentos. No aeroporto de Ezeiza, principal terminal internacional argentino, ao menos 18 voos foram cancelados, e a Aerolíneas Argentinas confirmou a suspensão de 255 operações, afetando cerca de 31 mil passageiros.

A paralisação coincide com o início da tramitação da reforma trabalhista na Câmara dos Deputados argentina, já aprovada pelo Senado. Liderada pela Confederação Geral do Trabalho (CGT), a greve marca o início de uma mobilização mais ampla contra o projeto, que propõe mudanças estruturais nas relações de trabalho. Entre os principais pontos estão a flexibilização de contratos, ampliação da jornada, facilitação de demissões, restrições ao direito de greve e alterações nas negociações coletivas, com o objetivo de reduzir custos e estimular o emprego formal em um cenário de alta informalidade.

Diante da escalada de protestos, o governo Milei adotou medidas excepcionais de segurança, incluindo orientações específicas à imprensa e alertas sobre possíveis confrontos. Manifestações recentes já terminaram em episódios de violência e detenções, elevando o clima de instabilidade política no país. A reforma é considerada uma das mais profundas em décadas e integra um pacote mais amplo de ajustes econômicos, enquanto sindicatos e movimentos sociais intensificam a resistência nas ruas e no Congresso.