Guerra não é solução para nada, por Romanelli

“Nunca houve uma guerra boa nem uma paz ruim”. Benjamin Franklin

Por Luiz Claudio Romanelli*

A agressão que o povo ucraniano está sofrendo por parte da Rússia é um despropósito. Só a invasão territorial já seria um absurdo, um ataque a todos os princípios de harmonia entre as nações. Mas ainda há os bombardeios que matam civis e explodem os padrões de humanidade e de convivência pacífica entre os povos.

A Ucrânia é uma nação irmã do Paraná e as violentas ações militares russas merecem total repúdio. Em razão deste entendimento a Assembleia Legislativa programou uma sessão especial na segunda-feira, dia 07, para manifestar solidariedade e incondicional apoio à Ucrânia, aos seus habitantes e à comunidade ucraniana que vive no nosso Estado.

A contribuição do povo ucraniano ao desenvolvimento paranaense é inegável, seja na cultura, na educação, na agricultura e na economia como um todo. Hoje, são 480 mil descendentes espalhados pelo Estado que merecem todo o nosso respeito. Nos últimos dias, este reconhecimento foi marcado no prédio do legislativo estadual, que ficou iluminado com as cores da Ucrânia.

Hastearemos a bandeira ucraniana nos mastros da Assembleia Legislativa e abriremos o plenário para que representantes da imensa colônia possam se manifestar a respeito do conflito no Leste Europeu. Vamos valorizar e ratificar os laços que nos unem ao povo ucraniano e nos posicionar de forma conjunta contra a violência que o País está sofrendo.

A guerra não é solução para absolutamente nada. Esta situação na Ucrânia é incompatível com o mundo atual. Estamos no século 21 e vivenciando fatos que nos remetem a séculos passados. Vendo sofrimento e terror se espalhando em nome de um desejo autocrático que quer se impor pela força.

Não há razão concreta para a invasão da Ucrânia. O País não era uma ameaça à soberania da Rússia, não fez qualquer gesto de agressão ao povo russo. Por trás disso, obviamente, está a tentativa de forçar uma nova configuração geopolítica e se escondem muitos interesses econômicos, que pouco se importam com o sofrimento humano alheio.

A Ucrânia é hoje um Estado estruturado, que funciona com padrões democráticos e eleições livres. Trata-se de um jovem território independente, mas com uma história milenar, marcada por invasões e domínio de outros povos. A República Popular da Ucrânia foi criada em 1917 e, três anos depois, com a revolução bolchevique, incorporada à União Soviética. Com o fim da URSS, o País declarou independência de Moscou em 1991.

A ação militar desmedida realizada pela Rússia me parece uma mistura das condutas do czarismo imperial russo com as práticas do regime soviético, que na década de 1930 promoveu um período conhecido como Holomodor. A palavra ucraniana significa “a morte pela fome” e é o registro do genocídio de milhões de ucranianos pela falta de comida.

Não nos cabe ampliar as reflexões sobre os interesses da autocracia russa e a relação do País com a Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN). O fato concreto é que se há questões territoriais e de soberania a serem resolvidas, não é com bombas lançadas sobre uma população inocente que haverá acordo.

A nós cabe intensificar a mobilização para restabelecer a paz. Nos cabe agir para cessar os bombardeios e mortes, para que os ucranianos possam viver com tranquilidade num País próspero. Não é possível aceitar que sejamos confrontados por imagens que mostram um povo pacífico lutando contra uma superpotência nuclear para sobreviver.

O Paraná é a Terra de todas as gentes e a Assembleia Legislativa um espaço adequado para a mobilização em favor do povo ucraniano. Deputadas e deputados sustentam que os preceitos democráticos devem ser aplicados em qualquer lugar do mundo, e que o diálogo é a melhor forma de resolver conflitos. É nisso que devemos acreditar e para isso que devemos lutar. A paz tem que prevalecer!

*Luiz Claudio Romanelli, advogado e especialista em gestão urbana, é deputado estadual e vice-presidente do PSB do Paraná