Oligarcas russos lutam para escapar de sanções internacionais

Duas horas depois de enviar por e-mail um boletim imobiliário de casas de luxo para milhares de clientes ultra-ricos na manhã da última sexta-feira (4), Shawn Elliott, presidente da divisão de ultra luxo da Nest Seekers International, disse que recebeu três contatos. Não eram de potenciais compradores, mas de vendedores.

As ligações vieram de Nova York e Miami, dois locais populares entre os russos ricos, um possível sinal do que pode se tornar o ritmo acelerado de vendas de casas de luxo, propriedades à beira-mar, iates e apartamentos com vistas panorâmicas, enquanto os russos lutam para se antecipar às sanções internacionais.

“Pessoas assim têm seus contatos”, disse Elliott sobre os proprietários russos. Eles perguntaram: “‘Se eu fosse vender, quão rápido você poderia vender isso e quão rápido você poderia vender aquilo?’”

O impacto das sanções coordenadas dos Estados Unidos, Reino Unido e União Europeia causou ondas de choque na elite russa. Alguns oligarcas estão tomando medidas em antecipação ao que poderia vir, procurando mover iates de lugar, vender ativos e se adaptar a uma onda de sanções que vieram mais rápidas do que o habitual e são mais expansivas do que antes.

O bilionário russo Roman Abramovich, que não foi sancionado, anunciou na última quarta-feira (2) que venderá o time de futebol inglês Chelsea Football Club, pois é “do melhor interesse do clube, dos torcedores, dos funcionários, bem como dos patrocinadores e parceiros do clube”. Ele disse que o lucro líquido da venda iria para uma fundação criada para ajudar “vítimas da guerra na Ucrânia”.

Os bilionários russos Mikhail Fridman e Oleg Deripaska romperam com o Kremlin e pediram o fim da guerra da Rússia na Ucrânia. A União Europeia anunciou sanções contra Fridman na semana passada e Deripaska está na lista de sanções dos EUA desde 2018.

“Este é um momento muito preocupante se você é um bilionário russo”, disse o ex-funcionário do Departamento de Estado dos EUA Max Bergmann. “Os advogados estão ocupados agora, tentando descobrir como expurgar os oligarcas de vários conselhos de empresas e como alienar ativos nos Estados Unidos.”

“Estamos recebendo um novo inquérito a cada hora”, disse Erich Ferrari, advogado que representa empresas e indivíduos estrangeiros na condução de sanções. “O telefone está tocando sem parar com pessoas de todo o mundo que foram sancionadas ou tiveram suas empresas afetadas.”

Instituições financeiras em jurisdições onde não há sanções, como os Emirados Árabes Unidos, estão seguindo o exemplo dos EUA e da União Europeia e congelando contas mantidas por russos, disse Ferrari.

Alguns países do Caribe — onde entidades controladas pela Rússia montaram negócios offshore em sigilo — não servirão mais como parceiros corporativos para essas empresas russas, deixando muitos delas incapazes de operar, acrescentou Ferrari.

“Não me lembro de um programa de sanções internacionais que fez todo mundo brigar”, disse o advogado.

A corrida para evitar as sanções acontece após a Casa Branca ter anunciado medidas totais de bloqueio a oito elites russas, além de seus familiares e associados. Todos eles serão bloqueados do sistema financeiro dos EUA, o que significa que seus ativos no país serão congelados e suas propriedades serão bloqueadas para uso.

“Isso causou um pânico repentino”, observou Bergmann, “porque a velha guarda, curiosamente, não sabia que essa [invasão] estava chegando, e acho que eles ficaram surpresos que Vladimir Putin finalmente decidiu invadir”.

Bergmann explicou que um oligarca pode entrar na justiça para tentar impedir as sanções, mas no curto prazo, esses bilionários russos estão vendendo e despachando seus bens.

“O que você já está vendo são oligarcas enlouquecendo com isso e movendo seus iates para lugares onde não podem ser extraditados”, disse disse o ex-funcionário do Departamento de Estado dos EUA. “Vimos iates começarem a navegar para Montenegro, onde não há tratado de extradição.”

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