Paraná é referência em técnicas de conservação de solo

O Mapa Simplificado de Solos do Paraná, produzido por pesquisadores da Embrapa Florestas e da Universidade Federal do Paraná, mostra a distribuição e a diversidade das terras paranaenses. De acordo com o levantamento, o Paraná possui quatorze tipos diferentes de solos.

Uma pequena amostra dessa variedade está em uma sala do Setor de Ciências Agrárias da universidade, em Curitiba. No local é possível observar diversas caixas que guardam os quatorze tipos de solos encontrados no estado. De acordo com o Professor Jairo Calderari, a classificação leva em conta a idade e a composição dos terrenos.

O mapa traz um destaque para os Argissolos que têm mais areia na composição, retém poucos nutrientes e sofrem com a erosão. Eles cobrem 15,5% do território do estado. Os Neossolos, presentes em 22% do território do Paraná, são rasos, podem ter pedras e fertilidade variável.

E os mais predominantes são os Latossolos – ocorrem em 31% do estado. Bastante alterados pelo tempo, eles são pouco férteis, mas, com a adubação correta, podem se tornar muito produtivos.

De acordo com o professor Jairo Calderari cada tipo de solo tem características e manejo próprios e o Paraná é referência e berço de técnicas de conservação de solo.

A mais conhecida é o plantio direto, no qual as sementes são colocadas em uma terra não remexida e coberta por uma palhada. A técnica foi implantada nos anos 1970, na região de Rolândia, pelo agricultor Herbert Bartz.

O técnico do Instituto de Desenvolvimento Rural do Paraná, Tiago Hachmann, explica como funciona o plantio direto.

“Em primeiro lugar, ele evita que as gotas de chuva tenham um impacto muito grande e acabem destruindo os agregados de solo. No segundo ponto, com essa cobertura constante, a gente reduz a temperatura do solo. Com isso, a gente permite que o solo tenha uma maior quantidade de macro e micro-organismos. Garante, portanto, uma maior vida para o nosso solo”, afirma Hachmann.

As vantagens da técnica conquistaram os produtores. Vitor Baggio, engenheiro agrônomo e agricultor que planta soja na região de São Carlos do Ivaí, no noroeste do estado, afirma que ter testado a técnica valeu a pena.

“Acho que todo mundo deveria tentar fazer numa parte da propriedade e ver os resultados. Pra ver que dá resultado e é viável, só que tem que ter paciência”, diz Baggio.

O agricultor João Zielinski também adaptou o plantio direto para produzir milho e hortaliças no sítio dele, em São José dos Pinhais.

“Foi adotado em 2017. Depois disso não teve mais erosão, a produção aumentou e tive menos gasto com maquinário, defensivos e adubo”, conta.

O resultado, diz ele, foi uma alta de 50% na produção e mais dinheiro no bolso.

“Vale a pena, pois você vai estar preservando o solo para o futuro. E vai ter garantia de produção”, afirma.

Matéria G1 Paraná