Seca histórica no Paraná evidencia os paredões de pedra das Cataratas do Iguaçu

A vazão do rio Iguaçu nas Cataratas do Iguaçu nas Cataratas do Iguaçu às 14h de ontem (04), era de 347 metros cúbicos de água por segundo. Com esta vazão, a beleza das Cataratas é mantida somente para quem contempla esta Nova Sétima Maravilha de um dos mirantes que permitem olhar em direção à Garganta do Diabo. Outro local que permite uma boa visualização das Cataratas é a partir do elevador. Para quem caminha a pé na trilha a partir do primeiro mirante o que se vê na maior parte do trajeto é rocha exposta e pouca água.

Segundo o engenheiro de recursos hídricos da Copel, Anderson Nascimento de Araújo, entrevistado pela RPC em Curitiba, a falta de água nas Cataratas é explicada por dois motivos. O primeiro é a seca histórica que castiga o Paraná em 2020 e que parece ter relação com o fenômeno La Niña, quando as águas quentes da superfície do Oceano Pacífico são empurradas para o Oriente, fazendo com que as águas frias profundas venham à superfície causando grandes mudanças climáticas em diferentes partes do mundo.

A segunda causa é mais local. Sem chuvas abundantes para abastecer os reservatórios quer da Sanepar para o fornecimento de água para a Região Metropolitana de Curitiba (RMC) e para os reservatórios das seis usinas hidrelétricas no rio Iguaçu, os dois sistemas entram em crise. É o que se chama “crise hídrica”. Segundo o engenheiro, o segundo motivo são as estratégias adotada pelas usinas hidrelétricas que enfrentam o baixo nível de água em seus reservatórios. Ele cita o reservatório da Usina de Foz do Areia como exemplo. O reservatório é o maior do sistema e agora possui somente 3,8% de sua capacidade total. Uma da estratégia das usinas é não produzir energia nos finais de semana. Nesse período cada usina aproveita para estocar água.

Os turistas que vieram às Cataratas no feriadão dos Finados entre sábado 31 de outubro e segunda-feira, dois de novembro, chegaram exatamente nesse período de estocagem quando cada usina segura a água. Na área da baixa Iguaçu já próxima ao Parque nacional do Iguaçu a usina já estava liberando mais água. Ontem às 14h, o Salto Caxias em Capitão Leônidas estava liberando 489 metros cúbicos de água por segundo, o que significa mais do que a vazão inteira das Cataratas ontem pela manhã.

Toda a água liberada pelo Salto Caxias ou Usina Governador José Richa vai cair no reservatório da Usina Baixo Iguaçu. Ontem, ainda por volta das 14h a vazão liberada para a Usina Baixo Iguaçu era de 301 metros cúbicos por segundo. Na mesma hora, a vazão do rio Iguaçu metros antes de cair nas Cataratas do Iguaçu era de 347 metros cúbicos por segundo.

Gdia/Foto: Rafael Guimarães

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