Urbanização do Bubas é um presente para Foz do Iguaçu, diz Chico Brasileiro

Detalhes de projetos, como largura da caixa das ruas e as obras de infraestrutura necessárias, foram apresentados aos moradores da maior ocupação urbana do Paraná

Foz do Iguaçu iniciou neste ano o projeto mais ousado do Paraná ao propor a urbanização da ocupação do Bubas, área de 40 hectares onde moram 1,8 mil famílias e cerca de 10 mil pessoas. “É o melhor presente de aniversário da cidade neste ano. E mesmo com a grande expectativa e até ansiedade da minha parte, esse projeto requer a participação e o respeito às decisões dos moradores do Bubas”, disse o prefeito Chico Brasileiro.

“Para alguns, esse processo pode até parecer moroso, mas num esforço de todos os envolvidos, estamos desatando um nó histórico, de mais de nove anos, e vamos garantir a dignidade, incluindo todas famílias aos serviços básicos de cidadania”, completou Chico Brasileiro.

A superintendente do FozHabita, Elaine Anderle, reforça que serão feitas quantas reuniões forem necessárias até definir, com a aprovação de todos, os detalhes de como será arruamento que precede a instalação das galerias e tubulações de água e dos postes que levarão a energia elétrica padronizada a todas as casas do bairro. “A cada reunião, os detalhes são discutidos ponto a ponto, cada detalhe e as ações que serão levadas. É assim mesmo, será uma decisão respeitosa, cumprindo etapas de um plano urbano, afinal estamos falando da maior ocupação urbana do Paraná”, reitera.

O defensor público João Victor Rozatti Longhi, que acompanhou a reunião, disse que o Bubas entrou numa nova fase positiva em que o Município e o Estado poderão instalar os equipamentos públicos “e prover aos moradores os serviços essenciais como a coleta de lixo e entrada de uma ambulância ” para atender a comunidade.

“A Defensoria Pública está acompanhando esse processo e agora com expertise dos técnicos no assunto, teremos os desdobramentos e as adaptações necessárias, do ponto de vista do espaço físico e urbanístico, para realocar o mínimo de pessoas e dar dignidade ao povo do Bubas”, completou.

Cidadania
A expectativa é grande e até maior na própria comunidade. “Como é bom ter um lugar igual a todo mundo!”, disse Marisa dos Santos. “É o sonho de todo mundo ter um lugar digno para morar”, emenda José Carlos. Os dois moradores se referem a “todo mundo”, mas só aqueles que vivem no Bubas entendem bem o que significa a proposta de urbanização da área. Obras de infraestrutura, regularização no fornecimento de água, luz e rede de esgoto, linha de ônibus regular e o avesso aos serviços públicos tão esperados nunca estiveram tão perto de se tornar realidade num curto prazo.

Após a apresentação do plano urbano nesta quarta-feira e a aprovação dos moradores, a proposta será encaminhada à Copel e à Sanepar para execução dos serviços de regularização da água, esgoto e eletricidade – os recursos já foram garantidos pelo governo estadual. Nesta primeira fase, os investimentos podem passar dos R$ 20 milhões.

No Centro de Convivência Francisco Bubas, centenas de moradores acompanharam, quadra a quadra, como serão feitas as  intervenções e melhorias. Por exemplo, as ruas internas deverão ter nove metros de largura, com calçadas de 1,5 metro de cada lado e seis metros de pista de rolamento. Já as ruas principais, que dão acesso a outros bairros, terão 12 metros. O plano prevê ainda obras de drenagem e de meios-fios. Obras que serão licitadas assim que aprovadas pela comunidade.

Esclarecimentos
Para o arruamento também será necessário realocação de 27 famílias. “Já há um plano para que essas famílias sejam realocadas ou para um local próximo ao Bubas. Vão receber aluguel social até a construção das casas ao final de todo o processo de urbanização”, disse Elaine Anderle.

A mesma situação ocorre com 64 famílias que ocupam atualmente uma área de preservação permanente. “Não é possível, por lei, fazer a urbanização desta área. Mas ninguém ficará desabrigado”, reforçou Elaine Anderle.

Após a apresentação, os técnicos das secretarias de Obras, Planejamento, Direitos Humanos e Relações com a Comunidade, e do Fozhabita esclareceram outras dúvidas pontuais dos moradores. “Estaremos sempre dispostos a ouvir e prestar os esclarecimentos necessários. Queremos que todo o processo seja feito da forma mais transparente possível e em conjunto com os moradores do Bubas”, completou Elaine Anderle. 

O vice-presidente da Associação de Moradores do Bubas, Ronaldo Vargas, disse que a urbanização da área é “uma vitória” de toda a comunidade. “É uma coisa que todo mundo esperava, e está acontecendo, e acontecendo rápido”. Sobre as discussões e os detalhes do plano ele disse que “está bem transparente”. “Estão fazendo o máximo para explicar como que vão fazer, o que acham, tudo isso”.

Decência
Marisa dos Santos mora com os filhos no Bubas e contou que está na comunidade desde o começo da ocupação. “A gente começou com lona e hoje construiu a casinha. Estamos desde o começo batalhando para conquistar o lugar da gente”. Ela trabalha como auxiliar de restaurante em São Miguel do Iguaçu durante todo o dia e só volta para casa à noite, para cuidar dos filhos. “Não tenho condições de pagar aluguel. Então isso significa muito para nós”, disse.

O operário Carlos José dos Santos trabalha na área de construção civil e, há oito anos, devido a dificuldades com aluguel, se instalou no  Bubas, onde construiu uma casa. “Há muito tempo a gente quer uma melhora, uma rua decente, uma água decente. Às vezes chegava em casa, à noite, e não tinha água. Com esse projeto, a gente fica mais do que feliz”.

Central
A Câmara Técnica, composta por representantes de órgãos públicos, entidades e lideranças comunitárias, vai disponibilizar um número de WhatsApp para ser usado como central de atendimento e responder eventuais dúvidas sobre os projetos e todo processo de urbanização da área.

“Solicitamos o uso de um número de telefone para que os moradores do Bubas tenham um canal de comunicação direta com a Câmara Técnica e dessa forma todos poderão ter suas dúvidas respondidas por técnicos que conhecem o projeto que saberão orientar os moradores sobre qualquer dúvida. O número de telefone será anunciado em breve”, disse o diretor de Drenagem e Mobilidade Urbana, Ivan Lincon Oeda.