UTFPR volta a ter aulas presenciais após 18 meses

A Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR) iniciou o segundo semestre letivo de 2021 nesta quinta-feira (23) com a retomada de aulas presenciais após 18 meses desde a suspensão das atividades por conta da pandemia de Covid-19, em março de 2020. O retorno à Universidade está sendo feito somente com o ensino híbrido, respeitando-se o protocolo de biossegurança e de forma gradual. A maior parte das ofertas de disciplinas neste semestre (aproximadamente 97%) ainda foi na modalidade de ensino remoto.

Uma das turmas que teve aula presencial nesta quinta foi a do 1º ano do Curso Técnico Integrado em Informática do Campus Campo Mourão. De acordo com a professora Flávia Reitz, coordenadora do curso, o retorno foi um marco em um momento de muitas mudanças. “Iniciei minha aula no formato híbrido com cerca de 15 alunos presenciais e 25 remotos. Foi possível perceber a diferença na participação dos alunos, tanto dos que estavam em sala como dos que acompanharam a distância. E, após um longo período, a esperança nos motiva novamente para um retorno integral”, comentou a professora.

Por parte dos alunos, a experiência foi aprovada. “Acho que a aula presencial melhorou muito a questão do aprendizado. Eu mesmo, particularmente, não consigo aprender muito com o ensino remoto”, avaliou Luiz Manoel Marques da Silva, que entrou no Curso Técnico Integrado em Informática no início do ano e ainda não tinha frequentado o campus.

Na graduação, a maioria das disciplinas no formato híbrido só terá participação presencial a partir da próxima semana, já que muitos professores estão aproveitando o início do semestre letivo para explicar aos alunos como será a dinâmica da turma e organizar os grupos que se revezarão nas salas de aula e laboratórios.

A professora Larissa Macedo dos Santos, do Departamento Acadêmico de Química do Campus Pato Branco, voltará a um dos laboratórios da Universidade para dar aula presencialmente na segunda-feira (27) e está bastante ansiosa pelo retorno. “Não vejo a hora de ensinar química onde eu aprendi a amar esta ciência, dentro da Universidade; de fazer experimentos onde podemos visualizá-los, dentro de um laboratório. De forma segura e responsável, afinal estas também são virtudes de um bom profissional”, disse, acrescentando que, pelas mensagens que tem recebido, a expectativa é grande também entre os seus alunos.

Segundo o pró-reitor de Graduação e Educação Profissional, Jean-Marc Stéphane Lafay, o retorno ao presencial na UTFPR está sendo possível com a vacinação de grande parte dos servidores e com a queda nos índices de contágio, internação e morte provocados pelo coronavírus. “Não se trata de um retorno expressivo, mas de uma indicação de que uma certa normalidade está voltando. É uma retomada aos poucos que serve de estímulo e busca dar segurança para aquelas pessoas que estão somente agora começando a cogitar uma flexibilização do isolamento em casa”, explicou.

Ao todo, neste semestre letivo, foram ofertadas aproximadamente 7 mil turmas aos cerca de 30 mil alunos de graduação da UTFPR. Destas, somente 2,95% são no formato de ensino híbrido. São três tipos de turma nesta modalidade: A, que funciona com rodízio, sendo que parte da turma acompanha a aula presencialmente e a outra, remotamente; B1 e B2, com aulas remotas e presenciais, das quais todos os alunos inscritos deverão participar. O que difere os tipos B1 e B2 é que o primeiro é para disciplinas que não puderam ser ofertadas anteriormente de forma remota. Já as turmas B2 têm opções alternativas no formato A e C, este último tipo com 100% de aulas a distância.

Na modalidade híbrida, o tipo mais ofertado foi o A, contabilizando 166 das 210 turmas deste formato. Já os tipos B1 e B2 tiveram, respectivamente, 16 e 28 turmas ofertadas.

Os campi poderiam ofertar até 20% das turmas no formato híbrido neste semestre letivo. No entanto, este índice não foi atingido em nenhum deles. Santa Helena foi o campus com maior oferta neste formato, com 15% de turmas híbridas. Já Cornélio Procópio disponibilizou aos alunos apenas disciplinas no ensino remoto.

De acordo com Jean-Marc Lafay, em 2022, caso grande parte dos estudantes já esteja vacinada, é possível que a porcentagem máxima de turmas ofertadas por campus na modalidade híbrida seja ampliada. “Agora vamos intensificar as discussões para definirmos de forma conjunta como será a oferta do semestre que vem. Como fizemos antes: ouvindo a comunidade, os conselheiros e as representações estudantis”, antecipou o pró-reitor.