Bolsonaro culpa governadores por crise econômica

Os esforços do presidente Jair Bolsonaro para culpar os governadores pela crise econômica aumentaram na última semana na mesma medida em que o cenário, sobretudo em relação à alta dos preços e ao desemprego, vem se deteriorando.

Embora ele venha criticando os chefes de Executivo estaduais desde o início da pandemia – principalmente pela adoção do isolamento social –, o aumento dos preços e do desemprego fez com que ele passasse a apostar ainda mais nessa estratégia para tentar se manter isento de responsabilidade.

Um dos mantras que tem adotado quase diariamente é o de que o preço dos combustíveis não cai por causa da alíquota de ICMS cobrada pelos estados – o que não é verdade, porque ela é a mesma há anos. “O que que eu fiz para diminuir o preço do gás de cozinha? Zerei os impostos federais. Agora o que é que pesa aí? O ICMS que é o imposto estadual, o frete e a margem de lucro na ponta da linha”, afirmou na sua última live semanal, na quinta-feira, 26. “Alguns poucos governadores têm me criticado pelo preço do gás. Realmente está caro. Mas não me critiquem. Eu zerei o imposto do gás de cozinha e você, governador, está cobrando o ICMS”, acusou.

Reação
Nas redes sociais, governadores reagiram ao presidente. “Pior que a incompetência do governo federal em administrar a economia é a tentativa de colocar a população contra os governadores com narrativas mentirosas”, disse o paulista João Doria (PSDB), um dos principais opositores de Bolsonaro. Ele também argumentou que o ICMS sobre os combustíveis se manteve em 25% durante toda a sua e que esse é o mesmo percentual desde 2015.

Veja/Imagem Alan Santos