LIA é referência para inclusão e lazer de crianças no Brasil

A fundadora do projeto LIA, Shirley Ordonio, do grupo Paraná de Doenças e Síndromes Raras, destacou nesta segunda-feira, 13, na audiência pública que debateu a inclusão das crianças deficientes a importância da mobilização para colocar na pauta da ação do poder pública a implantação de espaços e equipamentos de lazer para este grupo de crianças.

Mãe de uma criança com deficiência, Shirley Ordonio sentiu a necessidade de proporcionar diversão à filha, quando percebeu que os outros dois irmãos brincavam em um parque enquanto Letícia não tinha a mesma oportunidade. Surgia o movimento LIA (lazer, inclusão e acessibilidade), que, aos poucos acabou envolvendo mães de todo o Brasil, que buscavam alternativas para difundir a inclusão e diversão às crianças com deficiência.

Com origem em Curitiba, hoje o LIA já está em mais de 40 cidades e em 18 estados. As mães cobram das autoridades a implantação de brinquedos adaptados em parques públicos, praças e todos os locais de uso público comum. O projeto reúne famílias, amigos, profissionais na busca pelo lazer, inclusão e acessibilidade, conscientizando a sociedade de que as pessoas com deficiência também têm assegurado este direito.

Impacto – Além disso, o LIA também promove eventos inclusivos, encoraja as famílias a buscarem momentos de lazer para as crianças com deficiência e atua para o fortalecimento dos cuidadores. “Nestes anos, já impactamos positivamente mais de 40 mil pessoas e atingimos 2,2 milhões de pessoas com deficiência só no Paraná”, disse Shirley Ordonio no encontro coordenado pelo deputado Michele Caputo (PSDB) que reuniu parlamentares, gestores e representantes de entidade que atuam na defesa das crianças.

“São 500 mil voluntários. O papel do grupo é proporcionar o lazer inclusivo para pessoas com deficiência. Precisamos lembrar que as crianças com deficiência precisam brincar, participar de eventos inclusivos e que sejam acolhidas por pessoas capacitadas”, enfatizou.

A neuropsicopedagoga, Daiane Kock, que também atua no LIA e no Grupo Paraná de Doenças e Síndromes Raras, disse que a proposta não visa somente a diversão – “que já é algo maravilhoso para essas crianças”, mas o processo de aprendizagem. “Quando se fala da criança com deficiência física ou intelectual, é importante destacar que ela necessita de brinquedos que atendam à sua necessidade”, disse.

“A brincadeira funciona como uma terapia complementar. A partir dessa brincadeira, ela desenvolve suas funções cognitivas. Ajuda inclusive no controle e na expressão das emoções. Para isso, essas crianças precisam de estímulo. E a brincadeira proporciona isso”, completou.