UTI Neonatal do Pequeno Príncipe completa 30 anos de atuação

Foi com apenas duas horas de vida que, há 18 anos, Marya Fernanda de Oliveira Rodrigues chegou à Unidade de Terapia Intensiva (UTI) Neonatal do Pequeno Príncipe, maior hospital exclusivamente pediátrico do Brasil, com sede em Curitiba (PR).

A unidade, que completa 30 anos da sua inauguração nesta sexta-feira, dia 26, já ajudou a transformar a vida de mais de oito mil bebês prematuros e recém-nascidos do país inteiro, os quais, assim como Marya, necessitavam de tratamentos intensivos.

“Minha gestação foi tranquila, mas no parto eu descobri que a Marya tinha mielomeningocele, e eu nem sabia o que era isso, nunca tinha ouvido falar. Ela nasceu em Rio Negrinho e duas horas depois estava aqui no Pequeno Príncipe”, relata a mãe, Michele Aparecida de Oliveira Rodrigues.

A mielomeningocele, também conhecida como espinha bífida aberta, é uma malformação congênita da coluna vertebral da criança em que as meninges, a medula e as raízes nervosas estão expostas. Com 24 horas de vida, Marya Fernanda passou pela primeira cirurgia e ficou mais 15 dias internada na UTI Neonatal, que foram decisivos para sua qualidade de vida.

“Os profissionais sempre nos explicavam e orientavam sobre tudo que iriam fazer, sempre trataram ela como uma princesa. E o cuidado não foi só com a minha filha, também foi comigo e com o meu marido. Isso foi o que deu forças para enfrentarmos esse mundo novo”, conta Michele.

Na semana em que a UTI Neonatal completa suas três décadas, Marya Fernanda comemorou seus 18 anos de muitas vitórias e agora se prepara para os Jogos Paralímpicos de 2024. “Se hoje ela completou 18 anos, é porque o Hospital acolheu e cuidou dela desde as primeiras duas horas de vida”, finaliza a mãe.

“Trinta anos depois nós continuamos dando passos cada vez maiores para restaurar a saúde dos bebês. Por meio da suspeita diagnóstica intraútero nós nos planejamos para o atendimento e elucidação diagnóstica logo após o nascimento do bebê. Disponibilizamos o atendimento especializado e multidisciplinar, com a medicação precisa, o suporte respiratório necessário, a dieta especial, e tudo o que for preciso para manter o equilíbrio da vida”, enfatiza a coordenadora-médica da Unidade de Terapia Intensiva Neonatal do Hospital Pequeno Príncipe, Silmara Aparecida Possas.

A médica destaca ainda que a instituição conta com mais de 30 especialidades médicas em um único lugar. “Todo esse time permite que cada profissional ofereça a sua contribuição, como em uma grande orquestra. Todos possuem papéis igualmente importantes e interligados, para preservar a vida de quem chegou antes da hora ou veio com necessidades especiais ao mundo”, completa Silmara.

A UTI Neonatal do Pequeno Príncipe possui 20 leitos com equipamentos de ponta para o atendimento e diagnóstico de bebês com doenças de alta complexidade ou com malformações neurológicas, renais, cardíacas, hepáticas, intestinais, hemato-oncológicas, imunológicas, oftalmológicas, otorrinolaringológicas, alterações de esqueleto e cutâneas.

A equipe é formada por mais de cem profissionais entre médicos, enfermeiros, psicólogos, fonoaudiólogos, fisioterapeutas, farmacêuticos, nutricionistas, assistentes sociais que trabalham em conjunto para que cada paciente receba o melhor tratamento. Os bebês prematuros recebem cuidados especiais como preservação da temperatura, cuidados nutricionais, cuidados para evitar infecções – uma vez que a pele fina dos recém-nascidos e a deficiência imunológica levam ao desequilíbrio das respostas inflamatórias.

Também são controladas todas as perdas fisiológicas, como urina e fezes, e as necessidades de soro, medicamentos e oferta de leite aos pequenos mantendo o equilíbrio hemodinâmico.

Todos os procedimentos e cuidados são feitos por uma equipe multiprofissional de forma humanizada, o que é essencial para o desenvolvimento dos bebês. Essa equipe tem como principal objetivo proporcionar o atendimento de excelência com equilíbrio e presteza ao bebê.

Todos os bebês atendidos na unidade também recebem vacinas, de acordo com a idade, durante o internamento na UTI Neonatal. Assim é evitado o atraso no cumprimento da carteira nacional de vacinação, o que é muito importante para a prevenção de doenças.