Hospital de Londrina é o primeiro do interior do Paraná a utilizar um robô cirurgião para retirada de tumor

Primeira cirurgia robótica torácica foi realizada no interior do Paraná em abril — Foto: Hospital do Coração de Londrina/Divulgação

Ademir, de 63 anos, foi o primeiro paciente a realizar uma cirurgia robótica torácica no interior do Paraná. Um robô, guiado pelo médico especialista em cirurgia torácica André Urquiza Veloso, foi responsável por dar conforto e segurança ao paciente durante o procedimento realizado no Hospital do Coração de Londrina.

“Foi muito rápido. Internei na sexta-feira para fazer a cirurgia e no domingo já estava em casa. Não tive nenhuma dor após o procedimento e nem em casa. Tenho a impressão que já posso voltar a trabalhar”, contou o morador de Londrina.

Em março, Ademir passou mal na empresa onde trabalha como líder de setor e, ao procurar um médico, foi diagnosticado com pneumonia.

Em uma tomografia descobriu a existência de tumor perto do coração, entre os dois pulmões, em uma região chamada de mediastino. De acordo com o médico André Veloso, o cantor Leandro, que fazia a dupla sertaneja com o irmão Leonardo, teve câncer nesta região.

Normalmente, o tumor seria retirado em uma cirurgia que causaria uma grande incisão, sendo necessário cortar o osso que fica na parte anterior ao tórax.

No entanto, Ademir Zenovello foi encaminhado para uma consulta com André Urquiza Veloso onde conheceu uma nova forma de fazer a mesma cirurgia, só que usando tecnologia e o robô da instituição hospitalar.

“Quando me consultei pela primeira vez com o doutor André ele ficou surpreso, disse ‘como é que acharam que esse tumor’. Conversamos ao longo de uma semana sobre o meu caso e a cirurgia utilizando robô. O doutor me deixou muito seguro e marcamos a data para a realização do procedimento. Estou admirado como tudo aconteceu, como eu fiquei bem”, disse o paciente.

Precisão

Utilizando a precisão do robô e afastando a possibilidade de realização de cortes profundos ou do osso, foram feitas pequenas incisões no tórax do paciente. O tumor foi retirado totalmente e, segundo a equipe médica, Ademir não precisará fazer sessões de quimioterapia ou radioterapia.

“Essa é uma cirurgia menos invasiva o que reduz sangramentos, dores e risco de infecção. Isso favorece a recuperação do paciente e ele fica menos tempo internado”, explicou o médico especialista em cirurgia torácica.

O robô consegue chegar em locais de difícil acesso e fornece imagens em 3D ao cirurgião. Ao longo do procedimento, o médico fica sentado e mexe as pinças do robô com ajuda de joysticks. Isso evita a realização de movimentos bruscos e de possíveis tremores por parte do cirurgião.

“Se ele tivesse se submetido a uma cirurgia convencional, teria ficado de quatro a cinco dias internado. O corte teria sido extremamente doloroso, porque se corta um osso grande bem no meio, tem que fixar depois com fios de aço, a incisão é enorme, de cerca de 30 centímetros. Então nem se compara com os cortes feitos pelos braços robóticos”, detalhou o médico cirurgião.

A tecnologia ainda não está disponível no Sistema Único de Saúde (SUS) ou é autorizada a ser feita por planos de saúde. Porém, o médico André Urquiza Veloso avalia que os benefícios com a recuperação, com a precisão cirúrgica e realização de incisões menores e redução da dor pós-cirurgia supera qualquer dúvida ou custos.

“A questão do custo é bastante complexo, ao mesmo tempo que se tem um gasto com a cirurgia robótica, que utiliza instrumentos descartáveis e importados, se tem redução do custo em outras áreas. O paciente fica menos tempo internado, compra menos medicação para dor e volta para o trabalho mais cedo. É difícil comparar um custo com o outro”, explicou André Urquiza Veloso.

Continue lendo em G1.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *