Moradia popular em Foz avança e reacende debate sobre direito à moradia

A construção de 512 apartamentos populares em Foz do Iguaçu, distribuídos nos residenciais Gal Costa, Elis Regina e Rita Lee, recoloca no centro do debate a política habitacional como instrumento estratégico de inclusão social e, ao mesmo tempo, de disputa política sobre prioridades de investimento público. Vinculados ao programa federal Minha Casa Minha Vida, os empreendimentos avançam nos bairros Morumbi e Panorama como vitrine de uma articulação entre União e município, em um contexto em que o déficit habitacional segue pressionando a agenda urbana.

Com recursos que somam R$ 92 milhões, oriundos majoritariamente do Fundo de Arrendamento Residencial (FAR), além de contrapartidas locais, os projetos atendem famílias da Faixa 1, público historicamente mais vulnerável e com menor acesso ao mercado formal de moradia. Nesse cenário, a exigência de cadastro atualizado no CadÚnico e no Fozhabita evidencia não apenas um critério técnico, mas também um filtro social que define quem, de fato, acessa a política pública.

Para o ex-superintendente do Fozhabita, Ian Vargas, o avanço das obras precisa ser analisado além do aspecto físico das construções. “A política habitacional não pode ser tratada apenas como entrega de unidades. Ela é uma ferramenta de reorganização social e urbana. Quando bem conduzida, reduz desigualdades; quando mal planejada, pode apenas deslocar problemas. O desafio é garantir que esses empreendimentos estejam integrados à cidade, com acesso a serviços, mobilidade e oportunidades”, afirma.

Os três conjuntos seguem um padrão construtivo semelhante, com blocos de quatro pavimentos e apartamentos de cerca de 52 metros quadrados. Ao todo, serão 192 unidades no Residencial Gal Costa e 160 unidades em cada um dos residenciais Elis Regina e Rita Lee. As obras, iniciadas entre fevereiro e maio de 2025, têm prazos que variam entre 18 e 21 meses, consolidando um cronograma que dialoga diretamente com o calendário político e com a expectativa de entrega de resultados concretos à população.

Executados pela empresa Bertoldi Empreendimentos Imobiliários, os projetos utilizam tecnologia BIM, o que indica uma tentativa de modernização nos processos construtivos. Ainda assim, especialistas apontam que o êxito da iniciativa não será medido apenas pela conclusão das obras, mas pela capacidade do poder público de transformar esses conjuntos em territórios efetivamente integrados à dinâmica urbana de Foz do Iguaçu.

Foto: Ian Vargas