Segurança digital: Paraná abre cursos gratuitos com IA

O Governo do Paraná lançou, nesta sexta-feira (20), um programa estruturado de formação qualificada em segurança digital, com foco em tecnologias emergentes e estratégicas para o desenvolvimento econômico e institucional. A iniciativa oferta quatro cursos gratuitos nas áreas de inteligência artificial, cibersegurança, tecnologias quânticas e visão computacional, com inscrições abertas até o dia 10 de maio. O público-alvo inclui estudantes de graduação e pós-graduação, profissionais do setor público e privado, além de empreendedores interessados em inovação e transformação digital.

Com investimento total de R$ 15 milhões, o programa é coordenado pela Secretaria da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior (Seti), em articulação com a Fundação Araucária e a Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG). A formação será ofertada na modalidade de ensino a distância (EAD), por meio da plataforma da Universidade Virtual do Paraná (UVPR), ampliando o alcance territorial e facilitando o acesso de participantes de diferentes regiões do Estado. Ao todo, os cursos somam carga horária de 210 horas, distribuídas entre conteúdos teóricos e aplicações práticas.

A iniciativa integra o Projeto Córtex, uma parceria estratégica entre o Governo do Estado, o Exército Brasileiro e o Instituto Synapse, que busca consolidar um ambiente de cooperação entre setores civis e militares no campo da segurança digital. Dentro desse escopo, o curso de inteligência artificial contará com uma turma exclusiva voltada a militares, com ênfase em fundamentos técnicos, ética, governança e segurança da informação. A proposta é formar agentes multiplicadores capazes de difundir conhecimento e atuar em atividades de pesquisa e desenvolvimento (P&D), fortalecendo a capacidade institucional do Estado.

Segundo o diretor-geral da Seti, Jamil Abdanur, o programa posiciona o Paraná em um patamar avançado na qualificação de recursos humanos para áreas críticas da economia digital. Ele destaca que a formação proposta articula inovação tecnológica com responsabilidade e segurança, elementos considerados essenciais diante da crescente complexidade dos sistemas digitais. Ainda de acordo com o gestor, o investimento em capacitação nessas áreas contribui para a competitividade do Estado, ao mesmo tempo em que fortalece o ecossistema de ciência, tecnologia e inovação.

A cooperação interinstitucional também é apontada como um dos pilares da iniciativa. A articulação entre governo, universidades, setor produtivo e instituições de defesa permite a construção de uma base sólida para um novo ciclo de desenvolvimento orientado pelo conhecimento. Nesse sentido, o programa busca não apenas formar profissionais, mas também estimular a produção científica e a inovação aplicada, ampliando o protagonismo do Paraná no cenário nacional.

No campo dos conteúdos, o programa adota uma abordagem abrangente e integrada. Os cursos contemplam desde fundamentos de inteligência artificial — incluindo algoritmos, aprendizado de máquina e ética — até estratégias avançadas de proteção contra ataques cibernéticos. Também estão previstos módulos sobre monitoramento de sistemas, análise de vulnerabilidades e resposta a incidentes, além de introdução às tecnologias quânticas, que representam uma fronteira emergente na área de processamento e transmissão segura de informações. A visão computacional, por sua vez, aborda técnicas de interpretação de imagens e dados visuais, com aplicações em segurança, indústria e serviços.

Como desdobramento das ações na área de defesa digital, foi anunciado que Curitiba sediará, em setembro deste ano, o Exercício Guardião Cibernético 8.0 (EGC 8.0), considerado o principal evento de simulação de defesa cibernética do Hemisfério Sul. A atividade reunirá Forças Armadas, órgãos governamentais, agências reguladoras, instituições de pesquisa, empresas privadas e operadores de setores estratégicos. Estão previstas simulações realistas de incidentes cibernéticos, com níveis progressivos de complexidade, voltadas ao treinamento, à integração institucional e ao aprimoramento das capacidades de resposta a ameaças digitais.

Na prática, o programa se insere em uma estratégia mais ampla de fortalecimento da soberania tecnológica e da segurança da informação no Estado. Ao investir na qualificação de profissionais e na articulação entre diferentes setores, o Paraná busca antecipar desafios e consolidar uma infraestrutura de conhecimento capaz de sustentar políticas públicas, inovação produtiva e proteção de dados em um cenário cada vez mais digitalizado